quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Resenha - A rainha normanda

Tenham todos um excelente dia!

Hoje sim, começa o novo ano! Se o Brasil só funciona depois do carnaval, é com uma resenha que vamos começar o ano!

Mas vamos voltar bastante no tempo. Que tal darmos uma passeadinha na época medieval?

O livro de hoje é o interessante "A rainha normanda", de Patricia Bracewell, que eu li neste mês de fevereiro.

O que diz o Skoob:

A Rainha Normanda
Em 1002, Emma da Normandia, uma nobre de apenas 15 anos, atravessa o Mar Estreito para se casar. O homem destinado a ser seu marido é o poderoso rei da Inglaterra, Æthelred II, muito mais velho que ela e já pai de vários filhos. A primeira vez que ela o vê é à porta da catedral, no dia da cerimônia. Assim, de uma hora para outra, Emma se torna parte de uma corte traiçoeira, presa a um marido temperamental e bruto, que não confia nela. Além disso, está cercada de enteados que se ressentem de sua presença e é obrigada a lidar com uma rival muito envolvente que cobiça tanto seu marido quanto sua coroa. Determinada a vencer seus adversários, Emma forja alianças com pessoas influentes na corte e conquista a afeição do povo inglês. Mas o despertar de seu amor por um homem que não é seu marido e a iminente ameaça de uma invasão viking colocam em perigo sua posição como rainha e sua própria vida. Baseado em acontecimentos reais registrados na Crônica Anglo-saxã, A rainha normanda conduz o leitor por um período histórico fascinante e esquecido, no qual fantasmas vigiam os salões do poder, a mão de Deus está presente em cada ação e a morte é uma ameaça sempre à espreita.


Governando na época compreendida entre o rei Artur e a rainha Elisabeth I, a rainha Emma é uma heroína inesquecível cuja luta para encontrar seu lugar no mundo continua fascinante até hoje

Minhas impressões:
É impressionante o poder de uma resenha, amigos. No fim de janeiro, vi uma resenha desse livro quando passeava entre alguns blogs sobre livros e achei a história interessante e o livro muito bonito.
Foto da autora na orelha traseira do livro
Em verdade, eu tinha acabado de ler o livro "Os príncipes da Irlanda" e apesar de não ter achado o livro espetacular, gostei de ler um romance medieval. Recordo-me que a resenha falava muito bem da obra e ela conseguiu acender a centelha da vontade de ler o livro. Eu admito que algumas resenhas me inspiram a ler determinados livros, mas a que eu li me deixou realmente motivado. E eu queria continuar na época medieval. Então, passei a procurar um preço camarada para comprar essa livro.

No fim daquele dia, eu estava conversando com a Mari e comentei com ela sobre esse livro e disse-lhe como eu fiquei curioso em conhecer mais sobre a tal rainha da Inglaterra vinda da França. E não é que a Mari tinha esse livro na estante?

Que coincidência! Ela havia ganho esse livro de uma amiga, a Raquel do blog "Por uma boa leitura" e estava na casa dela! Como eu tinha que ir ao Rio de Janeiro mesmo para compromissos acerca do mestrado, resolvi pegar emprestado esse livro com a Mari e iniciar a leitura.

Um pedaço da crônica anglo-saxã
Tudo gira em torno de Emma, aquela que é a rainha normanda. Para quem não sabe, a Normandia é uma região no norte da França e basta atravessar o Canal da Mancha para chegar a Inglaterra. Nesse cenário, tem-se a vida da menina (ainda com 15 anos) Emma. Emma é irmã de Richard, duque da Normandia e o romance se passa no ano de 1002. Raciocinem comigo: há mais de mil anos essa personagem pisou nessa terra e foi rainha. A autora se baseou na crônica anglo-saxã para escrever o romance. Com um lapso temporal extremamente gigante como mil anos é claro que a parte histórica é realmente diminuta, não? Fica claro que quase a totalidade do romance foi elaborado pela autora, que usou apenas as referências daquelas crônicas para fazer o esqueleto de sua história. Sabe-se que tais crônicas foram escritas por monges que viviam na ilha para deixar registrada a história inglesa para as gerações futuras

E mesmo criando boa parte da história de Emma, o livro nos cativa desde o início. Patricia Bracewell criou não só uma rainha, mas uma verdadeira heroína, uma mulher forte, apesar da pouca idade, mas alguém que criou em pouquíssimo tempo uma enorme resistência às adversidades de uma vida na corte estrangeira e soube se adaptar a mudança repentina de sua vida ao repentinamente virar rainha.

É preciso que entendamos o contexto histórico daquela época antes de continuarmos. O rei da Inglaterra era o fraco Æthelred II. (Leia-se Ételred, pois a ligação de "a" e "e" no latim dá o resultado de uma pronúncia aberta do "e") O dito rei não estava na linha de sucessão, pois era o segundo filho e não era filho de uma rainha, ao contrário do seu meio-irmão mais velho Edward, que era filho da rainha e do rei. Entretanto, Æthelred ascendeu ao trono porque seu meio-irmão morreu vitimado em um ataque feito pela mãe de Æthelred, que queria ver o filho sendo rei.

Não podia faltar um mapa para ajudar o leitor a visualizar melhor o local onde a história se passa
Æthelred cresce perturbado pela culpa de ter seu irmão assassinado para que ele pudesse chegar a coroa. Por causa disso, ele não confia em ninguém e teme a todo momento ser deposto pela alma do irmão morto. Isso faz de Æthelred um líder paranóico, rude e até mesmo violento. Com essa liderança pífia, a Inglaterra parece estar a mercê da invasão dinamarquesa, provinda dos vikings. E a Inglaterra não pode ser dominada pelos estrangeiros. 

Quando Æthelred perde a sua esposa, que morre no parto de seu oitavo filho, Æthelred e seus conselheiros enxergam a chance ideal para fortalecer os vínculos com a França ao "compar" (desculpem-me o termo grosseiro, mas é exatamente assim que as coisas acontecem, pois a noiva é literalmente adquirida numa transação comercial) uma nova esposa, que é a personagem principal, Emma. Estreitando os vínculos com a Normandia, a Inglaterra teria um aliado poderoso contra o rei dos vikings, o dinamarquês Swein Forkbeard. (Fork em inglês é garfo e beard também no mesmo idioma é barba. Agora basta fazer a ligação e imaginar uma barba bifurcada. E é justamente por ter uma barba como dentes de um garfo, que ele recebeu esse nome).

Swein Forkbeard tem uma tropa forte e cheia de homens grosseiros que poderiam subjugar a Inglaterra. O rei Æthelred, então, ao invés de se juntar a uma nova esposa do norte, decide ir ao sul e toma Emma como esposa. O casamento quando é anunciado, já atiça a inveja da outra pretendente, Elgiva, uma lady do norte da Inglaterra que, além de ser muito bela, julgava-se a pretendente ideal para o cargo de esposa do rei. Graças a sua ambição, é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o seu intento, pois não aceita ser preterida por Emma ou por qualquer outra mulher.

Como Æthelred precisa de uma esposa para estreitar relações com a França e proteger as suas fronteiras, ele aceita que Emma vá para a Inglaterra com o status de rainha e não só como esposa, não apenas para preencher a sua cama e lhe dar filhos homens. Emma chega na nova terra com uma responsabilidade enorme: governar em conjunto e, por ser rainha, seu filho será o novo herdeiro do trono britânico.

Chegando em solo inglês, Emma não só vê a rival Elgiva querendo vê-la morta, como também os filhos do primeiro casamento de Æthelred, que não querem ver um herdeiro saindo do ventre da nova rainha. Já que Emma tem o status de rainha, os filhos mais velhos do rei perderiam o direito ao trono. Vê-se que a vida da personagem principal não seria fácil. Dificuldades e obstáculos brotariam de todos os lados para ela. 
Trechinho do meio do livro
Além da rival Elgiva e dos filhos mais velhos do rei, a corte também não lhe é amistosa no início e o próprio Æthelred se arrepende da decisão do casamento. Æthelred age durante todo o livro como um personagem asqueroso e malvado com a sua própria rainha. Ele a considera uma criança e a trata como uma cortesã em diversas oportunidades, humilhando-a ferozmente. Æthelred chega a cometer um dos crimes mais terríveis, vis e desprezíveis contra uma mulher, ainda mais a sua própria esposa e rainha: um estupro.

E nesse ponto, vemos a fortaleza que é essa rainha, pois mesmo com tamanhas dificuldades, relegada a segundo plano pelo rei, ela têm forças para contornar tudo o que é ruim e manter-se firme. É uma personagem que mantém atitudes seguras diante dos problemas e que com isso, seduz rapidamente o leitor. É claro que muito disso é ficção, amigos leitores. Ninguém é forte como a Emma do livro. Eu fico me imaginando firmemente como agiria uma menina de 15 anos vendida para um reino diferente, tendo que ser rainha, vivendo há mais de mil anos atrás, ainda mais com um marido recheado de rancores e animosidade. É claro que essa vida seria uma vida só de lágrimas. A força da bela moça loira mostrada na capa do livro livro, como acordar no dia seguinte cavalgar, ir a mosteiros e fazer amizades com abades e conquistar a simpatia do povo dando presentes é mesmo algo que só existe na ficção.

Mesmo nesse cenário só de tristeza, a rainha Emma ainda tem um amor proibido, um romance que está fadado a nunca acontecer, mas que balança o seu coração de mulher apaixonada. Diante do dilema em ser rainha ou viver um amor impossível, Emma tem que pesar o que é mais importante para ela.

Prosseguindo, o rei Æthelred promove uma verdadeira carnificina de dinamarqueses que vivem em solo inglês, tudo motivado pela sua neurose infundada de perder o trono, o que gera a ira de Swein Forkbeard. O ponto alto de todo o livro é o encontro da rainha Emma com Swein Forkbeard e como ela se mantém inabalável com todas as ameaças recebidas.

Meu exemplar
Em resumo: um divertimento bastante interessante e um livro que você o lê em pouco tempo. Quem gosta de romances históricos e se interessa por eras medievais, provavelmente irá gostar. Segundo o que já vi pela internet, esse livro é só o primeiro de uma trilogia. Espero que isso seja mesmo verdade e que venham mais dois livros da rainha Emma pela frente, para perpetuar na história a sua história.

Deus salve a rainha e até a próxima, se Deus quiser!









Dados do livro

Nome: A rainha normanda
Autora: Patricia Bracewell
Editora: Arqueiro
Páginas: 400




17 comentários:

  1. Marcos,tenho esse livro,mas ainda não li ,pois estou aguardando o lançamento dos outros,para dar início a leitura da história de Emma.Que bom que o livro tenha te cativado desde início.Gostei bastante das características da personagem que é forte e adaptável a quaisquer circunstâncias que a vida lhe apresenta.Essa Elgiva parece que é uma daquelas terríveis vilãs que desejam a morte da protagonista.Não imaginava que tinha estupro na história.Concordo que tanta força em uma pessoa tão jovem que passa por tudo isso que Emma passou ,só mesmo na ficção ,mas como gosto bastante de personagens fortes ,isso torna-se mais um motivo para a história me agradar.Amo histórias de amores impossíveis e confesso que foi um dos pontos que mais me agradou e lógico somando tudo a uma boa dose de cenário épico .Até a próxima!

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  2. Oi Marcos a capa do livro é linda eu não conhecia a escritora gostei bastante da sinopse e pela sua resenha o livro é bem o tipo de genro literário que eu gosto de ler então já coloquei na minha lista de leitura, obrigada pela dica bjs.

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  3. Nossa, acabei de ler ontem mesmo. E o mais legal é que peguei sem saber do que falava, fui pelo título. O interessante é que na hora que vi do que se tratava achei uma baita coincidência porque estava lendo As crônicas saxônicas e nesses livros tem algumas coisas (o rei Alfred por exemplo) que são citadas nesse, e se você leu o das crônicas vai ter uma surpresa lendo esse pois parece até um tipo de continuação na linha histórica. É muito legal! Quero ler os outros, é uma trilogia mesmo e espero que lancem rápido aqui. Super animada com esses livros *-*

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  4. Que lindo esse livro. Quando vi o lançamento e li a sinopse achei super incrível a história... Ser rainha aos 15 anos? Sei que isso era mais que comum neste período da história, mas ainda me deixa meio pasmo e ainda com um homem tão mais velho! Estou super interessado em começar esta leitura

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  5. Acho essa capa muito linda, mas não me interesso pela história em si. Questão de gosto né. Não me prenderia

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  6. Sua resenha está muito boa, como gosto muito de romance de época sem dúvidas me interessei por esse livro, ainda mais por ser de uma leitura rápida.

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  7. Adoro livros de época e por mais que esse livro seja uma boa trama eu não leria, parece ser um livro cansativo .
    Bj

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  8. Adorei a resenha, tenho muito interesse em ler o livro por se tratar de romance histórico. Nunca li nenhum livro que se passasse no século XI.

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  9. Não conhecia esse livro, nem a autora fiquei curiosa para poder conhecer essa trama. Faz tempo que não leio um livro de época.

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  10. Olá, Marcos!

    Eu ganhei esse livro no meu aniversário - estava desejando muito! -, mas não consegui ler ainda.
    Que bom saber que ele é muito bom assim, mas fico triste por você ter me dado o spoiler do estupro. xD
    Preferia só descobrir lendo.

    Mas vou lê-lo assim que tiver uma chance.

    Bjs

    livrosontemhojeesempre.blogspot.com.br

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  11. Nunca me dei a chance de ler um romance histórico, apesar da minha irmã recomendar tanto.
    Adoro livros que se passam na era medieval, e o fato desse contar a história de uma rainha da Inglesa despertou ainda mais o meu interesse. Sei exatamente como você se sentiu ao ler a resenha desse livro Marcos, pois é como me sinto agora: Fascinada pela história sem nem mesmo conhecê-la direito.
    Acho que dificilmente terei a mesma sorte que você de encontrar na estante da minha irmã para pegar emprestado. Mas ainda assim, é um livro que eu pretendo adquirir e ler o mais rápido possível.

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  12. Que legaaal! Amoooo livros inspirados em histórias reais, ainda mais históricos assim, de época mesmo!
    A capa é linda também, e já está anotado aqui, vou procura-lo, e lê-lo em breve!! Me lembrou de quando fazia facul de inglês, e estudei um pouco dos anglos-saxões.
    bjoos

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  13. Gostei muito da resenha e da capa.
    Porém esse livro não faz meu gênero literário, espero reconsiderar essa leitura, mas por enquanto fica para uma próxima.

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  14. Nossa, tão nada a ver os filhos do rei perderem o direito ao trono, mas fazer oq não entendo hahaha eu to interessada nesse livro prq achei a capa bonita e prq estou entrando nesse tipo de literatura. Obgda pela resenha, é a segunda que leio e a sua veio mais detalhada

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  15. Gosto muito de romances históricos, mas este não me chamou muito a atenção, acho que por ser baseado em fatos reais, não gosto muito quando os personagens são baseados personagens históricos.

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  16. Nunca li romances de época, mas super tenho vontade de ler. Achei essa capa muito bonita. Adoro essa era medieval e livros com mapa, me sinto mais por dentro daquele mundo. Fiquei querendo saber o que acontece com a Emma, a situação dela parece ser bem curiosa.

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  17. Nossa estava curiosa para saber sua opinião sobre essa obra. Ganhei a algum tempo mas ainda não li, fiquei com medo de me perder dentro de tantos detalhes históricos. Outra coisa que queria saber, se era série ou não, é vc me esclareceu que provavelmente será uma trilogia. Enfim fico feliz que vc tenha gostado e espero consegui ler em breve.

    Leituras, vida e paixões!!!

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