segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Resenha - Aparecida - A biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil

Oi gente, tudo bem com vocês?

Segunda-feira de feriado! Dia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Rainha e Padroeira do Brasil! É por isso que o livro resenhado de hoje não podia ser outro!

O fim do ano está chegando e 2015 praticamente já passou. Espero que vocês estejam bem e que os três últimos meses do ano sejam bons.

O meu ano foi cheio de leituras. Umas boas, outras, nem tanto. Vocês puderam acompanhar tudo aqui!

Uma que não foi tão boa é do livro que vou resenhar hoje. O autor é o Rodrigo Alvarez, jornalista e correspondente da Rede Globo na Terra Santa.

Pra mim, o livro não é tudo isso como se apresenta e deixou a desejar.

O que diz a contracapa: 

Este é o livro mais completo sobre o maior símbolo da fé católica brasileira, com informações inéditas, fruto de pesquisas realizadas no Brasil e no exterior ao longo de três anos pelo jornalista Rodrigo Alvarez, correspondente da TV Globo em Jerusalém.

Rodrigo descreve personagens e fatos incríveis sobre a padroeira do Brasil em três séculos de história. Narra, por exemplo, a noite em que um homem atormentado por um anjo (ou era o diabo?) invadiu a basílica de Nossa Senhora Aparecida e destruiu a imagem da santa.  Os acontecimentos que se desenrolaram depois desse atentado de 1978 são cheios de mistérios e reviravoltas, como numa trama cinematográfica.

Ricamente ilustrada, a obra apresenta pessoas inesquecíveis: o padre que tirava a santa do altar às escondidas; o governador que cortava cabeças; a restauradora tempestuosa; o frei que enfrentava corruptos... e relembra personalidades marcantes, como a princesa Isabel, que lhe deu a coroa; o marechal Castello Branco, que financiou uma peregrinação pelo país da ditadura; e os três últimos papas, João Paulo II, Bento XVI e Francisco, que fizeram questão de beijá-la.

O que eu achei:

Antes de começar, não posso deixar de falar que hoje, antes de ser dia das crianças, é dia da Padroeira do Brasil. Falo isso baseado no sistema jurídico. Não é invenção minha, meus caros. É que há uma lei, ainda em plena vigência, que institui o dia de hoje como feriado nacional; lei que fora sancionada pelo Presidente da República da época.

Se você duvida, clique aqui e veja com os seus próprios olhos o teor da Lei nº 6.802 de 30 de junho de 1980 diretamente da página do Palácio do Planalto.

O chamado Dia das Crianças, muito embora seja nobre e de relevância ímpar, é apenas uma criação popular e não tem a eminência de um feriado como esse  de fato é.

Já fiz resenhas sobre livros com temática mariana. Não é segredo para ninguém que gosto de livros sobre Nossa Senhora. E ainda mais essa Maria que se fez aparecer nas águas aqui do Brasil. E também sou fã de biografias. Sempre achei interessante ver como se dá um evento da história de alguém contado por outra pessoa. Então quando ganhei esse livro da tia da Mari, achei que seria ele entraria para o rol dos meus livros preferidos. Mas não foi bem assim.

Parece que Rodrigo Alvarez tentou fazer um livro nos moldes dos "livros-reportagens" do Laurentino Gomes, como ele mesmo gosta de rotular os seus três estupendos livros "1808", "1822" e "1889". Nesses três livros que contam a história da vinda da família Real portuguesa, o Império Brasileiro e a ascensão da República, Laurentino Gomes colocou no papel de maneiro minuciosa toda a colossal pesquisa que fez desses fatos que aconteceram no século XIX.

Já com o livro do Rodrigo Alvarez, o jeito de externar essa pesquisa parece que deixou a desejar, muito embora pareça ter sido feito nos moldes daqueles.

Em ambos os casos, os dois autores fizeram uma hercúlea pesquisa - e disso ninguém pode duvidar - pois a quantidade de informações levantadas é imensa, numerosíssima e excessivamente grande. Mas o livro "Aparecida" ficou superficial demais. Pouco foi escrito para tanta informação levantada. Não que o livro tivesse que ser escrito em 2 tomos, não, não é isso! Mas o livro careceu de escrita.

Vou citar dois exemplos. O primeiro é o capítulo 27, chamado "A Rainha". Nesse capítulo, nos é contado como a Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi coroada e recebeu o título de "Padroeira do Brasil". O capítulo começa na página 181 e termina duas folhas depois, na página 183.  Há grandes chances de o autor ter deixado alguma coisa para trás ao contar esse assunto em duas páginas. A lei que eu mencionei aí em cima nem sequer fora citada. 

Para contar o segundo exemplo, terei que falar sobre um fato. O livro conta que, em 16 de maio de 1978, um jovem protestante de 19 anos cometeu um atentado contra a pequenina imagem de Nossa Senhora Aparecida, destruindo-a aproveitando-se de um blecaute de energia, tendo ele jogado a imagem no chão e a quebrado em diversos pedaços.

Sabendo disso: agora sim. O segundo exemplo de que o livro deveria ser um pouco maior vem do capítulo 7, intitulado "O enigma", que conta como o reitor do Santuário Nacional à época do crime, depois de ser preterido por uma artista leiga para fazer a reconstrução da imagem, decide renunciar ao seu cargo e deixa uma carta cheia de enigmas das razões que o levaram a demitir-se. O capítulo 7 começa na página 57, atravessa toda a página 58 e termina na metade da 59. Rodrigo Alvarez podia ter tratado desse tema um tanto mais! Leitores, pensem comigo: o tal padre deixou uma carta cheia de citações enigmáticas e apontou diversas indiretas para seus confrades e sobre diversos temas e o autor se dignou apenas a transcrever trechos da mensagem. Pela investigação que fez, podia ter até divagado sobre isso.

O autor posa ao lado do banner do livro. Todo mundo pode ver o autor 
diariamente nas reportagens do "Jornal Nacional" em Jerusalém
A disposição dos capítulos também não foi feliz. O livro começa em sua primeira parte, logo no capítulo 2 a narrar como se deu o atentado que praticamente destruiu a imagem de Nossa Senhora Aparecida feita pelo jovem radical protestante. De fato, tal episódio foi importante para a história da santinha, mas dá a entender que esse acontecimento horrendo é o tema central e importante demais pra dar início a obra.

Todo jornalista, curioso por natureza, que tem a vontade que nunca passa de procurar a notícia e os fatos para levá-los aos outros e também biógrafos sabem que um livro que traz a história deve começar pelo início. E o início da história de Nossa Senhora Aparecida se deu em outubro de 1717, quando os três pobres pescadores Felipe Pedroso, Domingos Garcia e João Alves a pescaram no Rio Paraíba do Sul na Vila de Guaratinguetá.

Quem faz uma pesquisa com pormenores como o autor fez, uma pesquisa até mesmo de nível acadêmico, sabe que o histórico é o começo de seu trabalho. O primeiro capítulo seria o encontro da imagem de terracota no rio, passando pela devoção popular e consolidação na fé dos brasileiros até chegar na atualidade, onde deveria ser incluído o capítulo referente ao tenebroso ataque.

Se eu fosse o autor, faria o livro nessa ordem, afinal de contas, são três séculos de história com muita coisa importante para se contar antes disso. Muitos anos de histórias de amor e de fé que deveriam ser privilegiadas e contadas antes, ao invés da manifestação de ódio sem sentido daquele que luta contra ela, muito embora a história da reconstrução da pequenina imagem já seja um milagre divino.

Três pobres pescadores a encontraram no Rio Paraíba do Sul em 1717. 
Lado bom? O livro tem sim! São as curiosidades. E muitas delas eu não sabia. Eu sempre procurei conhecer as histórias relativas as Nossas Senhoras pelo mundo e muitas sobre a Padroeira do meu Brasil eu mesmo não sabia. Não vou contar todas, mas uma em especial é bem curiosa: como a cabeça e o corpo estavam separadas, muitos tentavam colar de forma definitiva a imagem. Só uma cola desenvolvida na Argentina deu jeito permanente nessa situação, o que é bem inusitado e engraçado! 

Que paradoxal: uma cola justamente desenvolvida na Argentina que ajudou a Padroeira do Brasil. 

No fim das contas, eu achei um livro razoável, mas que poderia ser muito, mas muito melhor!

Até quinta-feira!
 







Dados do livro:
Nome: Aparecida - A biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil
Autor: Rodrigo Alvarez
Editora: Globo Livros
Páginas: 237





10 comentários:

  1. Para quem e devoto de Nossa Senhora Aparecida, e gosta de ler livros sobre religião vai gostar bastante desse livro, acho a história da Nossa Senhora muito linda, gostei da indicação do livro.

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  2. Olá, Marcos. Sua leitura foi feita num dia bem propício para o tema. Gostei bastante da resenha, fez-me saber um pouco mais sobre a nossa Padroeira. Além disso, me encantei com a forma que o autor escreve, partindo principal sobre a Aparecida, iniciando do capítulo 27. Minhas impressões sobre o livro, após esta resenha, não poderiam ser das melhores. Me encantei desde o inicio com a frase do livro, A biografia da santa que perdeu a cabeça, ficou negra, foi roubada, cobiçada pelos políticos e conquistou o Brasil, até o fim com suas conclusões.

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  3. Olá Marcos! Gostei de você ter dado ênfase ao verdadeiro "feriado" do dia 12. Confesso que há um tempo atrás achava que era feriado por ser dia das crianças, mas não! Por mais que não seja católica é legal saber sobre a história dos nossos costumes e crenças. Eu acredito que não leria esse livro, não por ser de outra religião, mas porque verdadeiramente não me chamou a atenção e por algumas coisas que você citou na resenha. O pouco que me interessou foi que o livro é bem jornalistico e não religioso, então acredito que seja um pouco melhor do que eu pensei logo de cara!

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  4. Olá!!
    Comprei esse livro para dar de presente pra minha mãe que é super devota da Nossa Senhora Aparecida. Espero muito que ela goste, pois depois de ler sua resenha fiquei um pouco desanimada em ler.
    Abraço e sucesso!

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  5. Gostei bastante da resenha e já tinha ouvido falar desse livro. Pra quem é católico e curte esse tipo de leitura é uma ótima indicação.

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  6. Bom, sua resenha está muito boa, mas sinceramente não pretendo ler esse livro no momento, quem sabe futuramente, pois seria ótimo saber um pouco mais sobre Aparecida.

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  7. Oi Marcos, não curto muito biografias e a única que li até hoje foi da minha cantora preferida. A linguagem que os autores utilizam em se tratando de outras pessoas reais me incomodam... Mas amei a capa branca do livro. bjs

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  8. Adoro esse lado religioso do blog, gostei bastante do livro. E o bônus é que agora já sei o que dar de presente de natal para minha mãe kkkk

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  9. Eu não leio muito livros do gênero Religioso, e ainda mais eu sendo evangélica não me acostumaria nem tentaria ler um católico. Então esse livro não me interessou, mesmo que a historia pareça bem instigante pela historia da Aparecida.

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  10. Olá, Marcos! Interessante suas reflexoes sobre o livro, principalmente sobe a estrutura e o conteúdo (ou a falta dele na obra concluída). Estou lendo o livro, e compartilho da maioria das suas impressoes. Sou estudante de jornalismo e para o TCC queria fazer algo sobre Aparecida, a padroeira do Brasil que ano que vem comemora 300 anos de 'existência'. Imaginei que esse livro seria uma bela de uma referência e ajuda. Mas me decepcionei.. Estou na metade e não senti aquele envolvimento com a história, justamente porque, embora a narrativa seja empolgante, a construção não foi muito feliz. Valeu pelas considerações nessa resenha!

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