sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Resenha - Um certo verão na Sicília

Olá amigos!

Buongiorno, tutto bene? Sì, oggi la mia storia è in italiano, perchè il libro parla della Sicilia.

Sim, leitores, a resenha de hoje é sobre o livro "Um certo verão na Sicília", da autora norte americana Marlena de Blase.

Alguém já foi na Itália ou mais especificamente, na Sicília?

O que diz no Skoob:

Um Certo Verão na Sicília - A Sicília é a terra da berinjela, dos tomates, do azeite, das flores - e do silêncio. Na difícil missão de fazer uma reportagem sobre a vida no interior da ilha, Marlena de Blasi e seu marido chegaram às portas da misteriosa Villa Donnafugata. Dezenas de mulheres vestidas de preto, com tranças em torno da cabeça, trabalhavam, cantavam, rezavam e brincavam numa ensolarada paisagem de torres, sacadas, hortas, campos e colina.

O que eu achei:

Meu pai é siciliano. Ele nasceu nessa ilha italiana e veio para o Brasil com o meu avô e a minha avó quando tinha 10 para 11 anos de idade.

Eles chegaram no Brasil nos fins da década de 60 e o meu avô trocou a Sicília pelo Brasil porque queria "fazer a América", já que a Sicília vivia dias negros desde o fim da Segunda Guerra.

Então quando vi esse livro na promoção (já não escondo de ninguém que vivo das promoções de livros do Submarino), adquiri-o e pensei logo nas histórias da Sicília que o meu avô me contava.

E quando eu fui ler, sempre comentava com o meu pai, que viveu na Sicília sobre a veracidade daqueles fatos que me eram narrados pela autora.

Segundo Marlena de Blase, ela e o marido foram passar férias na Sicília e tudo o que narravam no livro era contado por uma viúva, dona de uma pousada que os hospedou. Logo, eram fatos verdadeiros e que tinham ocorrido em meados da década de 1950 com essa viúva e narrados nesse livro em forma de romance. 
A autora também é chef!

Ledo engano. Fui conferir tudo com o meu pai e sabe qual foi a resposta dele? Que muita coisa ali não condizia com a realidade e que muito provavelmente a autora romanceou os fatos ou incluiu suas percepções pessoais, o que alterou muita coisa.

A autora começa falando de como chegou na pousada e foi recebida pela dona do estabelecimento, na Villa Donnafugata. Até aí, tudo normal e verossímil. Ela controlava o pequeno hotel e o nome da viúva é Tosca (lê-se Tósca, nome até comum em pequenas cidades sicilianas, segundo o meu pai).

Uma coisa que realmente acontece na Sicília é a manutenção da tradição das viúvas. Como a Sicília foi dominada pelos mouros por séculos, ainda existem alguns costumes antigos vindo dos árabes. Um deles é a mulher se vestir de preto permanentemente e por todo o resto de sua vida após perder o marido. Meu pai se recorda, inclusive, que uma das minhas bisavós, avó dele, só se vestia de preto. Ele a conheceu já assim, pois o marido dela já havia morrido quando meu pai nasceu. 

E uma dessas viúvas é a personagem do livro, Tosca. Ela vai contando a história de uma menina órfã e pobre que nasceu naquela Villa Donnafugata. Uma menina, que mesmo tendo uma irmã, foi apadrinhada por um nobre da região, tendo ela acabado por ganhar educação e bens materiais daquele nobre. 

Por causa disso, a sociedade daquela localidade a destratou e freqüentemente a menina era associada a amante daquele rico morador da Villa Donnafugata. Tal acontecimento era absolutamente incomum naquela região. Em primeiro lugar, ricos assim ou nobres eram raros na Sicília, terra de gente bastante humilde, ainda mais em meados do século XX. Ainda assim, meu pai não conheceu registros de alguém que adotava meninas pobres como descreve o livro.

No romance, a menina se apaixona pelo rico Leo, única figura masculina conhecida por ela. Estranho ler um livro mostrando um amor, ainda que platônico de uma criança, ainda por entrar na pré adolescência com um adulto. Mais inapropriado, impossível. Se eu achei estranho, meu pai também disse que isso não acontecia na Sicília, uma sociedade muito conservadora e profundamente religiosa.

Se o intuito era ser real, falhou enormemente.

Outra coisa terrível foi o envolvimento da Máfia Siciliana na história. Na história, a Máfia muda radicalmente os rumos da história, simplesmente por querer dinheiro. Conversei com o meu pai bastante sobre isso e ele me contou muita coisa sobre a Máfia.

Saindo um pouco do assunto e fazendo apenas um parênteses nisso, meu bisavô paterno fazia na Sicília um trabalho de mediador e conciliador. Para evitar algumas mortes relacionadas a Máfia, principalmente quando a dívida já estava paga, ele subia até a colina com o seu cavalo branco e ficava ali, anunciando uma pequena paz. Macabro, ao mesmo tempo, honorífico.

Segundo o meu pai, a Máfia não iria interferir em absolutamente nada, desde que isso não interferisse nos seus negócios. Poderia haver morte se alguém resolvesse prejudicar a Máfia. Caso contrário, cada um viveria a sua vida em paz. No livro, não mostra a interferência do fidalgo na Máfia e mesmo assim os bandidos são incluídos na história, o que não é muito verdadeiro. Não vou contar o que a Máfia faz e o que isso muda no romance, pois temos o comprometimento de não soltar absolutamente nenhum spoiler aqui no Cantinho.

Mas admito que após ouvir tanta incongruência com a realidade, o livro não agradou.

Sei que a autora escreveu mais dois livros italianos, A doce vida na Úmbria e Mil dias em Veneza. Dada a pouca verossimilhança, nem vou perder meu tempo de ler.

E vocês? Já leram algum livro baseado em fatos reais ou nem tão reais assim? Nada contra ficções, mas se você se propõe a fazer algo fiel aos acontecimentos, cumpra com o prometido!

Até a próxima!








Dados do livro

Nome: Um certo verão na Sicília
Autora: Marlena de Blasi
Editora: Objetiva
Páginas: 272



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