quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Resenha - O pacifista

Bom dia, amigos!

Como vão vocês?

Hoje é dia de mais uma resenha. Nesta quarta-feira vamos conhecer mais um livro do autor irlandês John Boyne. O livro é "O pacifista", drama narrado durante a Primeira Guerra Mundial.
Depois de ler esse romance dele, já comprei mais dois livros dele: "O menino do pijama listrado" e "O garoto no convés". Aguardem resenhas desses livros nas próximas quartas-feiras.

O que diz a contracapa:

O Pacifista - Inglaterra, setembro de 1919. Tristan Sadler, vinte e um anos, toma o trem de Londres a Norwich para entregar algumas cartas à irmã mais velha de William Bancroft, soldado com quem combateu na Grande Guerra. Mas as cartas não são o verdadeiro motivo da viagem de Tristan. Ele já não suporta o peso de um segredo que carrega no fundo de sua alma, e está desesperado para se livrar desse fardo, revelando tudo a Marian Bancroft. Resta saber se o antigo combatente terá coragem para tanto. Enquanto reconta os detalhes sombrios de uma guerra que para ele perdeu o sentido, Tristan fala também de sua amizade com Will, desde o campo de treinamento em Aldershot, onde se encontraram pela primeira vez, até o período que passaram juntos nas trincheiras do norte da França. O leitor pode testemunhar o relato de uma relação intensa e complicada, que proporcionou alegrias e descobertas, mas também foi motivo de muita dor e desespero.

O que eu achei:

O personagem principal se chama Tristan Sadler, um inglês que luta na Primeira Guerra Mundial. Foi bem bolada a sacada do autor ao nomeá-lo com o início do nome "Sad", que em inglês significa "Triste". Ele é triste durante todo o livro e denota a sua tristeza ao querer se redimir com o colega de farda e amigo William Bancroft. Por isso ele percorre uma longa distância para levar até a irmã mais velha de William algumas cartas que foram escritas durante a Guerra. Ele vai até a cidade de Norwich só para falar com Marian, a irmã de seu amigo e devolver as cartas que ela enviara ao irmão durante a guerra e que ficaram aos cuidados de Tristan após a morte de Will nas trincheiras.

Comprei o livro numa promoção feita na internet, amigos. Paguei a soma de R$ 9,90 pela obra. Comprei porque nunca tinha lido nada do autor e sei que ele escreveu "O menino do pijama listrado", o qual lerei e que fez bastante sucesso no mundo todo, sendo traduzido para mais de mais de 20 idiomas. Por essa razão, investi na compra e não me arrependi. É bem verdade que não sou de ler romances com temática homossexual, mas vocês que leem o que escrevo, sabem que dramas me agradam. E a escrita dele me foi tão cara que eu já comprei mais dois livros dele para ler.

Na capa há dois soldados fardados: representando provavelmente William Bancroft e Tristan Sadler, numa cena de grande intimidade e que já cria no leitor a idéia de que se trata de um romance gay. Quem não sabia, saiba agora que se trata do amor entre os dois soldados durante os combates da Primeira Guerra. A história é contada depois do combate e do armistício assinado pelos países que perderam a guerra. Toda a narrativa corre em 1919, quando Tristan conta para Marian a sua vida e partes da guerra que combateu juntamente com o irmão dela.

Interessante a  riqueza de detalhes existente na obra. Em diversas passagens ele narra um pedaço dos combates, fazendo referência a guerra em trincheiras no norte da França, novidade oriunda da Primeira Guerra Mundial, em que os combatentes cavavam trincheiras para sua defesa e também aos gases tóxicos das armas químicas, outra novidade horrenda desta batalha. 

Dois soldados ingleses com aparência monstruosa graças as assustadoras máscaras de gás e protegendo também seu cavalo contra as armas químicas liberadas nos combates da Primeira Guerra Mundial.

Pelo fato de Tristan narrar para a terceira pessoa o acontecido, a narração do livro é toda feita em discurso indireto, não existindo travessões e diálogos, mas todas as conversas são escritas em aspas. Isso pode confundir o leitor no início. Talvez eu não tenha gostado muito do livro por conta disso, mas convenhamos, é um detalhe que mostra a inteligência do John Boyne para escrever.

Na história, fica clara a ferida exposta em Tristan pela participação na Grande Guerra. Essa também é uma grande tristeza que ele carrega pela trama, além de a vergonha e a não aceitação dele mesmo pela sua condição homossexual. Durante a história nos é mostrado como o personagem se descobre homossexual por amar um colega e ser denunciado por ele, o que gera a sua expulsão de casa pelo pai justamente por essa situação. E somando essa carga de negatividade, tem-se que Tristan é o único que volta vivo da guerra, mas ele acredita que isso é um castigo ou uma punição que ele julga estar a sofrer justamente por conta de ser diferente dos outros.

Entretanto, "O pacifista" não guarda qualquer relação com "Enquanto a Inglaterra dorme", outro livro com temas parecidos, sobre a perda de um amor que foge do convencional dentro de uma guerra. Em "O pacifista", o personagem principal dá crédito de todas as mazelas de sua existência por ter perdido o amigo Will Bancroft. E ele não se perdoa mais por isso. Um conflito interno realmente doloroso para Tristan.

Will corresponde ao amor de Tristan, mas durante as batalhas, ele decide pelo afastamento, temendo a repercussão dessa ligação e a vergonha que passaria perante os colegas de farda se todos descobrissem. Ele esconde tudo o que sente, pelo medo do que podia acontecer. É um amor proibido pela sociedade, pelas regras morais do início do século XX e também pelos rígidos regramentos militares.

Sobre o nome do romance, há explicação dentro da história do porquê ele se chamar "O pacifista". Antes de Tristan e Will irem para a guerra, ainda na vila de treinamento militar eles conhecem um soldado que se recusa a combater e a atirar, que logo recebe um apelido pejorativo dos outros soldados e acaba por ser fuzilado pelos próprios oficiais mais graduados para evitar que essas idéias infectassem os outros praças. Era o pacifista dentro de uma instituição militar que treinava homens para ir para o "front", ensinando homens a matar e a tirar a esperança de outros.
Essa história é determinante para o final trágico do amor entre Tristan e Will, que tanto enche Tristan de culpa, pois Will entende que a guerra nunca traz nada de bom e ele decide se tornar um pacifista. Em uma mais sacada brilhante de John Boyne, ele remota a idéia de que a culpa nunca pode ser atenuada depois de tantas tragédias sofridas por àquele que lhes deu causa.
E aí, alguém já leu os livros do fabuloso John Boyne? Para vocês, quem é o melhor escritor irlandês da atualidade?

Até a próxima quarta-feira!
 




Dados do livro:

Nome: O pacifista
Autor: John Boyne
Páginas: 304 páginas
Editora: Companhia das Letras

 


                                          (Post válido para o Top Comentarista de fevereiro)

7 comentários:

  1. Não conhecia o livro e normalmente não o leria. Não faz meu tipo de história mas fiquei bem interessada no personagem principal. Essa coisa do Tristan, ser um personagem que participou da guerra e ser meio sofrido me interessou. Beijos!

    http://alguns-livros.blogspot.com.br/

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  2. Ainda não li nada desse autor, Mari, mesmo tenho sabendo que ele tem livros bem famosos. Já tinha ouvido falar desse, mas nunca tinha lido nada a respeito. Confesso que o que me atraiu mais foi o fato de ser ambientado na Primeira Guerra Mundial. Vou dar uma chance.
    Beijos!

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  3. Oiee

    Nossa nunca tinha visto esse livro e pela capa nunca saberia que era do John Boyne, fiquei morrendo de vontade de ler, eu já li vários livros do autor e amo Fique Onde Está e Então Corra se for comprar vale muito a pena.

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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  4. Ao passar pela net encontrei seu blog, demorei algum tempo a ver o conteúdo, gostei e é um daqueles
    blogs que gostamos de visitar.
    Eu ficaria alegre se me desse a honra da sua visita e se poder ler um pouco do que escrevi.
    Tenha muita paz e saúde.
    Sou António Batalha.
    http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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  5. Oi Marcos beleza, não é o tipo de leitura que me atrai, mas acho bacana você trazer outras coisas para o blog =D
    O fato de tu ter comentado no Boyne já me fez olhar o livro com outros olhos ^^

    Beijos,
    Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  6. Oi Marcos, tudo bem?

    Esse é o tipo de livro que eu não compraria por vontade própria, mas gostei muito do que descobri sobre ele ao ler na resenha me fez ficar bastante interessada em ler. Já anotei pra depois ler.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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  7. Nossa, eu normalmente não leria esse livro se o encontrasse por ai, mas o autor tem boa fama com O menino de pijama listrado, livro que possuo faz um tempo e ainda não li, mas quero muito. Adorei a resenha, deu para perceber do que se trata o livro e uma curiosidade gigantesca, por ser uma história diferente.
    Parabéns pela resenha.

    Beijos!
    www.nayaraoferreira.blogspot.com

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