quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Resenha - O diário do silêncio

Olá leitores do Cantinho!

Bom dia!

Muita chuva por aí? Hoje acordei com a maravilhosa visita da chuva! Espero que chova o mês de fevereiro inteiro.

Hoje eu vou trazer para vocês a resenha do livro da editora parceira Nova Terra e da autoria de Ana Lígia Lira, que narra a história das aparições de Nossa Senhora das Graças aqui no Brasil!

Como todos podem ver na minha descrição do lado direito do blog, seu ou Católico Apostólico Romano e ver um livro que narra as aparições da mãe de Jesus aqui no Brasil faz com que eu tenha um particular interesse.

Vamos ao livro, então!

O que diz a contracapa:


As aparições de Nossa Senhora das Graças no pequeno distrito de Cimbres, localizado na cidade de Pesqueira, interior de Pernambuco, sempre foi um assunto mal resolvido e mal explicado. Porém este quadro iria mudar no dia em que os escritos do Padre José Kehrle foram parar nas mãos de uma hábil e determinada pesquisadora.
Kehrle foi o Padre responsável por investigar, em tempo real, a veracidade das aparições. Ele documentou passo a passo do seu inquérito e este material, 76 anos depois de ser escrito, serviu como alicerce para uma pesquisa minuciosa feita por uma escritora experiente e determinada. Para essa obra que agora está em suas mãos ficar pronta, a autora percorreu todos os passos dos personagens envolvidos nas aparições.  Isso significa procurar familiares do Padre José Kehrle na Alemanha, bater nas portas do Vaticano em Roma, conseguir uma rara autorização para estar com a vidente ainda em vida, revirar arquivos de jornais e documentos seculares do Brasil e se surpreender com grandes segredos guardados a sete chaves. Este é um livro escrito para quem quer realmente conhecer a verdade sobre as supostas aparições de Nossa Senhora das Graças no Brasil nos mínimos detalhes e com todo o encantamento de quem descobre as coisas do céu.

O que eu achei:

Neste vídeo, Padre Paulo Ricardo comenta de maneira sucinta as aparições em 1936.

Já pude perceber que a Mãe do Céu aparece apenas para pessoas pequeninas e humildes. Foi assim com os três pequenos pastores de ovelhas em Fátima, Portugal em 1917. O mesmo se deu com o índio Juan Diego Cuauhtlatoatzin, no México em 1531 e os jovens que ainda hoje veem Nossa Senhora da Paz em Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina.
 
O mesmo se deu aqui no Brasil. Nossa Senhora escolheu ser vista por duas pequeninas crianças: Maria da Luz Carvalho e Maria da Conceição da Silva. Ambas eram sertanejas e nordestinas. Percebe-se que a Boa Mãe do Céu tem especial preferência pelos humildes e pelas pessoas de coração puro. Nunca vi uma aparição que tenha ocorrido a um doutor ou a algum dos poderosos dessa terra. Até porque ela, quando habitava esse mundo, também vivia no meio dos humildes.
 
 
O livro conta que as duas meninas, Maria da Luz e Maria da Conceição foram buscar sementes de mamona a mando da mãe de Maria da Luz no dia 06 de agosto de 1936, uma quinta-feira.
Na época, a cidade e as fazendas das redondezas viviam em constante medo pelas ações do grupo do bandido Lampião. Lampião aterrorizava aquela região e era temido pela barbaridade com que cometia homicídios. Então as duas meninas comentavam sobre a possível vinda de Lampião para Cimbres, quando Maria da Conceição perguntou à amiga o que ela poderiam fazer caso Lampião aparecesse por ali. E a resposta de Maria da Luz foi enfática:
 
"Temos de rezar para Nossa Senhora nos proteger!"
 
E naquele momento, no alto da colina viram uma jovem vestida com um manto azul e um vestido branco, no momento em que Maria da Luz comentou:
 
"Veja que ela já está lá para nos proteger."
 
Naquele instante, Nossa Senhora passou a conversar com as duas. Essa foi a primeira aparição da Virgem para as meninas. Naquele dia, as meninas quase perderam a hora de voltar para almoçar, tamanha foi a felicidade e a surpresa das meninas com o tão sublime encontro.
 
Como em qualquer situação semelhante, toda a cidade e a região toda ficou em tamanho alvoroço pela visão das pobres crianças com a Nossa Senhora. A informação chegou ao Bispo da Diocese, que nomeou o padre alemão José Kehrle para investigar o caso. O padre germânico encontrou-se diversas vezes com as meninas e foi até o local das aparições acompanhado de Maria da Luz e Maria da Conceição e dos curiosos que pediam a proteção do céu.
 
O impressionante aconteceu e as provas de que aquela manifestação era algo sobrenatural proveniente do divino, aconteceu. O sacerdote teve a oportunidade de investigar o caso enquanto ele acontecia e não muitos anos após o evento e pôde atestar que a Mãe de Jesus evidentemente tinha visitado essa Terra de Santa Cruz.
 
Explico.
 
O padre fez mais de uma centena de perguntas enquanto as meninas viam a Santa. Muitas dessas perguntas foram em alemão e também sobre assuntos técnicos de teologia que duas crianças de pouco mais de 10 anos sequer teriam conhecimento para responder. E no entanto, as meninas respondiam exatamente o que Nossa Senhora ia lhes dizendo, para espanto e choque do padre alemão.
Depois o esperto padre retirou uma menina do lugar e fez algumas perguntas para a outra criança, que permaneceu na colina, junto da Mãe de Jesus. Após ele ter feito a última pergunta, trocou as crianças e fez as mesmas perguntas, tendo ele recebido exatamente as mesmas respostas, muito embora Maria da Luz e Maria da Conceição estivesse bem longe uma da outra quando o padre as indagava. 
 
Nessa mesma oportunidade, a Rainha informou que se o povo não rezasse muito para o Seu Filho e não fizesse jejuns e penitência, três grandes castigos iriam assolar o Brasil e como se tudo isso não bastasse, a pedido do padre José Kehrle, Nossa Senhora fez brotar uma fonte de água ali naquela colina seca. E ela disse as meninas que quem fizesse uso daquela água com fé, receberia imensas graças. Transcrevo aqui um trecho do livro em que o padre narra as perguntas feitas e as respostas recebidas por meio de Nossa Senhora:
 
"'Pedi então que Maria da Luz perguntasse à 'santa' o seu nome e ela respondeu: 'Sou a Graça.'
 
Em seguida formulei diversas perguntas: '- Ela está triste?' Maria da Luz disse: 'Não, está sorrindo e mostra estar muito satisfeita.'
 
 
'Ela me vê? - Sim', foi a resposta.
 
'Posso fazer algumas perguntas em língua estrangeira?' - 'Sim'
 
Em certo momento, Maria da Luz disse: '- Olhe, ela e o menino estão sorrindo.'
 
 
Nota: resolvi fazer perguntas em outra língua a-fim-de que as meninas não pudessem perceber o que eu queria saber, nem formular respostas correspondentes. Seguem as perguntas traduzidas em Português:
 
 
'A imagem é uma alma ou é Nossa Senhora?'
 
A imagem responde por intermédio das meninas: '- Sou a mãe do Céu.'
 
(Nota: digo em português o que eu perguntei em outra língua)
 
'Tu és mater divinae gratiae?' '- Sim.'
 
'Qual é o nome do menino que tens no braço?' '- Jesus.'
 
'Porque estás aqui?' '- Foi Jesus que me colocou aqui.'
 
'Para que?' '- Para dizer que hão de chegar tempos sérios.'
 
'Então é esta aparição uma repetição de 'La Salette'?' '- Sim.'
 
'E hão de vir três cousas?' '- Sim.'
 
'Quais são?' Não veio resposta, mas a menina disse: 'A santa faz um sinal, como se não pudesse ou não quisesse dizer.'
 
'Será logo?' '- Não.'
 
'Este ano?' '- Não.'
 
'Para o ano?' Fez o mesmo sinal.
 
'O comunismo virá ao Brasil?' '- Sim.'
 
'Os Padres e os Bispos vão sofrer muito?' '- Sim.'
 
'Em todo o Brasil?' '- Sim.'
 
'Nas capitais?' '- Sim.'
 
'No interior (sertão)?' '- Não.'
 
'Será como na Espanha?' '- Quase.'
 
'Que devemos fazer para evitar esse castigo?' '- Rezar muito e fazer penitência.'
 
'Quer que se pregue sobre isso?' '- Ó sim.'
 
'Mas as autoridades não consentirão!' Fez um sinal como se nada quisesse dizer.
 
'Quer que se diga isso ao Senhor Bispo?' '- Sim.'
 
'Que significa esta água?' '- O sinal que dei.'
 
'Para que serve?' '- Para remédio.'
 
'Para todas as doenças?' '- Sim.'
 
 
'Para todas as pessoas?' '- As que tiverem fé.'
 
 
'Todos podem tomar da água?' '- Sim.'
 
'Quer que essa aparição seja divulgada?' '- Sim.'
 
'Para que?' '- Para que povo reze muito e faça penitência.'
 
'Qual a devoção que devemos fazer?' '- Ao Coração de Jesus e a Mim.'
 
'Mas não basta a primeira?' '- Não.'
 
'Então quer que se pregue a devoção ao Coração de Jesus e a sua Mãe?' '- Sim.'
 
'E a Mãe da Divina Graça?' '- Sim.'
 
'E a Nossa Senhora das Montanhas?' '- Não.'
 
'Quanto tempo já está aqui?' Estalou os dedos querendo dizer: há muito tempo.
 
'E quanto tempo ficará aqui?' Mostrou os cinco dedos.
 
'Que significam os dois algarismos 1 que estão gravados na pedra?' '- Dois séculos.'
 
'E o número quatro que está no outro lado da pedra?' Levantou o dedo para cima.
 
Perguntei depois disso se sabia que eu tinha celebrado pela manhã? '- Sim.'
 
'Seu filho está satisfeito comigo?' Nesse momento, a menina gritou repentinamente; 'Olhe, agora vejo também as mãozinhas do menino. Ele está sorrindo muito e estendendo as mãos para o senhor.'
 
'Dê-nos a sua benção!, pedi' A menina disse: '- A Santa está nos abençoando.'
 
'Que o menino também nos abençoe!' Maria da Luz disse: 'Parece que o menino também está nos dando a benção.'
 
Nota: O Padre José Kehrle fez ainda algumas perguntas relativamente a sua pessoa e seus trabalhos sacerdotais e recebeu respostas, mas só tem interesse para a sua própria pessoa"
(O diário do silêncio, páginas 30, 32, 33 e 34).
 
Esse é um pequenino trecho do livro, mas que causa no leitor um impacto profundo. Há outros trechos com mais perguntas do padre alemão, mas o que se pode concluir é que se trata de uma aparição mariana. Não se pode entender como uma aparição maligna, pois ela veio para alertar sobre castigos e pede incessantemente que o povo reze para o Sagrado Coração de Jesus e faça penitências.
 

A menina Maria da Luz cresceu e mesmo diante das dificuldades, ingressou no Instituto das Religiosas da Instrução Cristã, onde fez seus votos e dedicou-se a vida religiosa como irmã. Ela faleceu no dia 13 de outubro de 2013, com 91 anos de idade em Recife, Pernambuco.
Foto da Irmã Adélia retirada da Internet
Em vida, Irmã Adélia criou uma amizade e respeito imensos pelo Padre José Kehrle, a quem ela chamava de pai espiritual e conselheiro. E não só as meninas foram desacreditadas em razão das aparições. O livro narra como o Bispo da Diocese proibiu que o padre alemão falasse acerca das aparições, justamente porque o prelado não acreditava que Nossa Senhora pudesse ter sido vista pelas meninas.
 
Na primeira parte do livro, temos a transcrição dos fatos pelos olhos do Frei Franciscano Estevão Rottger, um dos religiosos que acompanhou o padre José Kehrle nas investigações. O diário é transcritos integralmente, mostrando o passo a passo dos dias das meninas na época das aparições.
 
Somente sabemos mais sobre as meninas, a vida do Padre Kehrle e o que aconteceu com Maria da Luz, que virou a Irmã Adélia, mais para o fim do livro.
 
Sobre a montagem do livro, tenho que tecer elogios e críticas. Primeiro vamos aos elogios. A diagramação para fins estéticos é perfeita. A capa é feita com papel cartão e possui orelhas. A parte interna da capa é decorada e colorida. Bem bonito. Também as páginas do livro lembram um diário, pois todas ganharam uma coloração cinza, para dar aquele ar de livro envelhecido, como um diário mesmo! Lindo! E o livro ainda merece respeito por trazer fotos, recortes de jornais da época e figuras, o que enriquece o trabalho.
 
Só que o acabamento deixou a desejar. Ao chegar na página 63, quando o livro ainda trazia as perguntas feitas pelo sacerdote para as meninas, o livro quase se desmanchou nas minhas mãos. Parece que a lombada estava pouco pregada nas páginas e ao abrir, elas se separaram. Tive que usar as minhas habilidades manuais e recolar o livro. E outro ponto que não pode ser esquecido: existem pequeninos erros de ortografia espelhados pelo livro. Nada que uma segunda revisão não elimine.
 
Para finalizar: quem se interessa pelo tema e que se aprofundar e conhecer mais essa história tão pouco conhecida, precisa ler o livro de Ana Lígia Lira.
 
Até a próxima!

 Dados do livro:

Nome: O diário do silêncio
Autora: Ana Lígia Lira
Editora: Nova Terra
Páginas: 285





(Post válido para o Top Comentarista de janeiro)


8 comentários:

  1. Ainda não conhecia esse livro, fiquei muito interessada depois de ler a resenha. Parabéns! Adorei! Beijo!

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  2. Esse não é o tipo de livro de que agrada, mas é bem a cara da minha mãe, então vou mostrar essa resenha para ela. E espero que aqui chova logo também.
    Beijos!

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  3. Muito interessante, mais eu não leria pois sou Evangelica, mesmo assim não gosto muito desse tipo de livro.

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  4. O livro não faz meu estilo. Questões pessoais que eu prefiro não discutir aqui.
    Porém, gostei de conhecer o livro e achei bem curiosa e interessante essas histórias.
    Beijos!!

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  5. Resenha excelente e completa, amei. Confesso que esses livros não me atraem muito, mas eu investiria nesse.

    Vanessa
    Blog Closet de Livros

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  6. Oi Marcos :D

    Quando me deparei com a sua resenha confesso que fiquei bem desisteressada, porque não sou fã de livros com tema religião. Mas depois de ler a resenha (e tenha certeza que li cada pedaço) fiquei encantada.. É uma história tocante, e fiquei tentada a saber mais sobre ela! Por ser de família católica sempre ouço minha avó falando sobre Nossa Senhora das Graças, e claro que assim que comentei com ela sobre o livro ela também ficou curiosa! Enfim, parece maravilhoso e vou pesquisar para comprar!
    Bj :*

    Ah, sobre a chuva, faz dois dias que ela voltou a aparecer na minha cidade, e espero que ela fiquei aqui por um bom tempo, rs!

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  7. Este livro não se encaixa no meu gosto literário, mas me interessei em pesquisar mais sobre ele (muito estranho isso rs). Parabéns pela resenha, super completa! Beijos <3

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  8. Não sou a pessoa mais religiosa do mundo, nem de longe, na verdade, não sigo uma religião, logo, esse não é o tipo de livro que costumo ler.
    Eu realmente achei a capa interessente, com base no título, achei que seria totalmente diferente, só entendi o que é abordado através da sua resenha.
    É muito ruim quando o acabamento e a revisão não são bem feitos >< .
    Gosto de pesquisar muitas coisas, inclusive religiões, mas não me interessei por esse livro.

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