quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Resenha - Diários do meio-fio

Olá leitores!
 
Bom dia!
 
Alguém sabe como são tristes as histórias dos moradores de rua e dos marginalizados? É tanto sofrimento! E é justamente sobre esse tema delicado que vamos conversar hoje!
 
Recentemente o Cantinho recebeu um livro escrito pelo autor Flávio Duncan como parceria com a Editora Nova Terra que trata sobre o assunto. Antes de começar, é importante dizer que o autor foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz por trabalhar com pessoas excluídas! Sim, ele foi indicado a receber o Prêmio de Nobel da Paz pelo sério e importante trabalho social que realiza.
Numa época em que cada vez menos se o ser humano se preocupa com o próximo, Flávio Duncan se destaca por querer ajudar quem se encontra nessa difícil situação.
 
O que diz a contracapa:
 

Diários do meio-fio é o complemento do Pescador de Idéias, primeiro livro de Flávio Duncan, lançado em 2011. Agora, o autor demonstra toda a parte prática da teoria abordada em sua primeira obra. Este livro retrata o registro da primeira pesquisa e mapeamento realizado com população em situação de rua, fomentado e financiado pelo próprio autor.
Através deste trabalho foi possível angariar dados e traçar perfis comportamentais das pessoas que vivem nas ruas, ajudando os órgãos que atuam na ressocialização destas pessoas a adotarem metodologias mais eficazes no tratamento da questão. O livro agrega ainda depoimentos reais de quem os moradores de rua foram antes de morar nas ruas e denuncia as más condições de abrigos públicos na cidade do Rio de Janeiro, retratando a triste realidade e dificuldade de ressocialização dessas pessoas.
 
O que eu achei:
 
Quando terminei de ler o livro, a primeira coisa que veio na minha mente foi a seguinte indagação: o que levou o autor, um jovem de classe média alta a iniciar um trabalho de resgate e melhoria das condições de vida de pessoas carentes? Ainda mais numa época em que ninguém dá a mínima com o próximo? E uma reflexão pequenina me fez achar a resposta: a vontade de ajudar e o fazer o bem. Flávio Duncan é aquele tipo de pessoa que faz a diferença, que não espera ninguém pra começar algo que todos deveríamos fazer, que é ajudar quem está numa posição inferior a nós.
Confesso aqui que não tenho peito pra fazer nem 1% do que o autor já fez.
 
Ele montou o Pescador de Idéias, um site que fomenta troca de informações através de uma grande rede de discussões. E que como o próprio nome já diz, serve para alguém lançar uma idéia nova e inteligente sobre a resolução de problemas sociais existentes. E então outros internautas podem "pescar" a idéia e aproveitá-la junto a sua comunidade.
 
Em primeiro lugar, não se pode deixar de aplaudir a idéia do autor de conceituar quem mora na rua. Nunca tinha ouvido o termo usado no livro, que é "população em situação de rua", em completo antagonismo ao termo "população em situação de gabinete". Essa segunda classe é representada por aqueles que apenas gostam de citar o problema da miséria e fazer discursos bonitos, sem qualquer engajamento ou vontade de contribuir para a diminuição do problema.
 
Digno de nota que esse livro reúne diversas histórias, crônicas sobre a vida de moradores de rua. Homens, mulheres, crianças, idosos, todos dão seus relatos ao autor, explicando como foram parar nas ruas, sem ter um teto para voltar no fim do dia. São histórias tristes e que nos mostram com clareza como a vida pode ser dura.
 
Além das histórias, fotos em preto e branco do autor no momento das pesquisas sobre a mendicância e durante o seu trabalho social foram colocadas no livro, para que a leitura ficasse mais dinâmica. Ponto positivo para o livro que trouxe recortes de jornais falando do trabalho de Flávio Duncan.
 
Foto do autor tirada por Gustavo Stephan - Jornal O Globo - Caderno Barra - Rio de Janeiro e estampada na página 13 do livro Diários do meio-fio

 Mas nenhuma história me chocou tanto quanto a história intitulada: "Um dia já fui dona de casa", de uma senhora que viu sua vida inteira desmoronar devido a parca estrutura familiar. Eu que não sou de chorar em livros fiquei profundamente comovido, até porque o autor afirma que todas as histórias contadas ali são verdadeiras, tendo mudado apenas os nomes dos personagens para preservá-los. Tal história é carregada com uma carga de drama tão grande que você chega a pensar que histórias assim não são reais. Mas são. Diversas famílias aparentemente felizes como a da senhora em questão são destruídas pelo álcool e pela violência doméstica.
 
Não contarei sobre nenhum outro depoimento porque a política do blog é de evitar ao máximo a presença de spoilers nas resenhas. O que posso dizer para convencer os leitores a lerem a obra de Flávio Duncan é que vocês lerão um livro que os fará pensar. Importante que um livro traga uma mensagem reflexiva, uma motivação além do simples prazer de ler. E vocês pensarão em como a vida tem sorrido para todos nós por termos casa, família, salubres e boas condições de vida, ao mesmo tempo que será impossível não fazer uma reflexão sobre como é fácil ajudar alguém que esteja marginalizado. Flávio Duncan começou do zero. Qualquer um pode começar também.
 
Sobre as dificuldades, o autor relata a aproximação de políticos e outros oportunistas para tentar angariar benefícios às custas do projeto dele. Após a negativa do autor de conjugar seu trabalho com a parte política, ele ouvia sempre palavras duras de desestímulo, mas seu trabalho vem crescendo a cada ano.
 
Além dos parasitas que almejam benefícios políticos, o livro mostra como os próprios funcionários que trabalham na área de assistência social dos abrigos tem seus cargos atrelados ao engajamento político. Isso cria um obstáculo realmente grande para quem quer auxiliar verdadeiramente os moradores de rua.  
                          
Diários do meio-fio é uma livro pequenino na aparência. Tem apenas 75 folhas, mas é tão profundo graças as suas histórias contadas ali que abre um universo de narrativas tão complexas.
 
Também a capa é bastante interessante, leitores. É possível ver o autor chegando para conversar com um morador de rua, prestes a cumprimenta-lo. Um detalhe muito significativo da foto da capa do livro é que o autor segura um bloquinho, pronto para continuar a sua pesquisa, colhendo dados sobre a população carente. Isso mostra a faceta jornalística e pesquisadora minuciosa do autor, que busca a informação para passá-la a terceiros. E depois de coletadas as informações, Flávio Duncan expõe no livro um gráfico com as pesquisas de campo descobertas, e que para a minha surpresa a grande maioria dos entrevistados já se valeu de algum programa social e mesmo assim não saíram das ruas.
 
Em resumo, um livro que pode servir de inspiração para começar um projeto ou também para quem decide iniciar o auxílio a um programa social. A época das festas de fim de ano se aproxima: que tal fazer alguma boa ação para quem precisa tanto?
 
Espero que tenham gostado!
 
Até a próxima!

 
 
 
 
Dados do livro:
 
Nome: Diários do meio-fio
Autor: Flávio Duncan
Editora: Nova Terra
Páginas: 75

 
 
 
(Post válido para o Top Comentarista de dezembro)

17 comentários:

  1. Oi, Marcos.

    Adorei a política do blog de não dar spoilers, já levei tanto spoiler lendo resenhas que as vezes penso em até desistir visitar os blogs. >.<
    Mas vamos ao livro. Adorei a iniciativa do autor em fazer essa pesquisa e estar no meio dessa população. Fiquei bem curiosa quanto aos relatos que existe no livro. Eu sou de chorar então já sei que choraria horrores nesse livro. Parabéns pela resenha.

    Paradise Books BR

    Beijos.

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  2. Já estou tocada antes mesmo de ler o livro!
    Realmente devemos nos perguntar o que leva um pessoa de boa vida a querer ajudar pessoas em uma situação difícil, e também nos levar a agradecer por tudo o que temos.
    Amei sua resenha! Um abraço, Marcos!

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  3. Não sou acostumada a ler livros do tipo. Tratando se de moradores de ruas e pessoas necessitadas. Realmente, pessoas de classe média alta, a maioria não se importão com o problema social, ninguém praticamente liga, falam apenas para ser moralista..falso não é. Gostei porque há relatos reais no livro, é realmente um ótimo trabalho. Se a histórias te comoveu, é porque é mesmo triste, tudo é triste afinal. Pela capa, eu nunca iria me interessar, mas vendo a resenha, vi que há coisas profundas nele.
    Abraços Marcos,
    ThayQ.
    http://leituras-insanas.blogspot.com.br

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  4. Acredito que nunca li nenhum livro com essa temática ou algo parecido.
    Lendo a sua resenha parece que o livro é bem intenso e muito bem escrito.
    Parabéns para o autor por sair da zona de conforto e escrever algo assim.

    bjs
    Tais
    http://www.leitorafashion.com.br

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  5. Não conhecia este livro.
    Porem gostei de como você falou dele, gosto da ideia de ajudar pessoas necessitadas.

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  6. Nossa Mari uma bela iniciativa do Flávio e hoje em dia pessoas com pensamentos humanos e melhor ainda com essa iniciativa está cada vez mais difícil, acredito que renderia um ótimo bate para o blog vc e Flávio.

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  7. Oi Marcos, que livro bacana, que ideia ótima que esse rapaz teve, não conhecia o livro e nem esse site, mas vou procurar saber mais sobre ele. Não é todo mundo que se preocupar com os problemas que existem na nossa sociedade e muita gente acredita que se paga imposto que o governo que dê um jeito em tudo, mas não funciona bem assim.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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  8. Oi Marcos definitivamente não seria um livro para mim, mas acho o máximo você trazer outros gêneros para o blog!

    Beijos Joi Cardoso
    Estante Diagonal

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  9. Bela iniciativa a ser seguida, não é atoa que foi indicado ao nobel da paz. Também admito que não teria coragem de fazer tudo o que ele fez, mas é pra se pensar e muito nisso.

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  10. Oi Marcos!
    Definitivamente esse é um livro impactante e nos faz repensar... A ideia do site criada pelo autor é incrivel... Uma coisa tão simples, mas que pode ajudar tanta gente... Um livro pequeno porém nem por isso dessa de ser profundo.. Com certeza irei procurar por ele. é difícil de eu gostar de livros assim. Mas acho que esse realmente me chamou a atenção.

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Nossa!! Não conhecia o livro.
    Que bela iniciativa do autor.
    Muito interessante mesmo.
    Infelizmente, como você disse, a tendencia é as pessoas se preocuparem cada vez menos com os outros, com a vida alheia.
    Difícil ver pessoas se esforçarem para, simplesmente, ouvir o que essas pessoas têm a dizer. Especialmente a "população em situação de rua" (como trata o livro).
    Belíssimo trabalho! Vou ler assim que puder.

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  13. O livro trás uma proposta interessante, nunca tinha lido livros do tipo e o mais legal é que as histórias contadas no livro são reais, o que deixa o livro mais emocionante.
    Beijos.

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  14. Oi Marcos,
    Livro inspirador e comovente, se você que não é de chorar ficou comovido imagina eu que choro por tudo? Quero lê-lo e acima de tudo, usá-lo para servir de base para fazer algo.
    Beijocas ^^

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  15. Hey, Marcos!
    Livros que nos faz refletir é um dos melhores, não é mesmo? Que bom que você gostou da leitura e obrigada por compartilhar conosco!!

    Abs

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  16. Oi Marcos, Esse livro parece ser muito interessante, e também nos leva a pensar sobre as pessoas estão ao nosso redor e como poderemos ajudar essa pessoas.

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  17. Trabalho lindo, o mundo precisa de mais gente como ele. Quero muito ler esse livro.
    abs

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