sábado, 15 de novembro de 2014

Resenha - 1889 - Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil


Amigos do Cantinho!
 
Tenham todos um bom dia!

Hoje é feriado e para começar bem o dia, nada melhor do que uma resenha! E nesse feriado da proclamação da República, o livro escolhido é o 1889, que justamente conta a história do surgimento da República brasileira, forma de governo que conhecemos hoje.

Não preciso me preocupar em não contar o final, algo realmente incômodo e mal educado, pois o fim da história todo mundo conhece! A República aparece e o Império cai!

Então, vou parar de embromar e vamos ao livro!


O que diz a contracapa:


Nas últimas semanas de 1889, a tripulação de um navio de guerra brasileiro ancorado no porto de Colombo, capital de Ceilão (atual Siri Lanka), foi pega de surpresa pelas notícias alarmantes que chegavam do outro lado do mundo. O Brasil havia se tornado uma república. O império brasileiro, até então tido como a mais sólida, estável e duradoura experiência de governo na América Latina, com 67 anos de história, desabara na manhã de quinze de novembro. O austero e admirado imperador Pedro II, um dos homens mais cultos da época, que ocupara o trono por quase meio século, fora obrigado a sair do país junto com toda a família imperial. Vivia agora exilado na Europa, banido para sempre do solo em que nascera. Enquanto isso, os destinos do novo regime estavam nas mãos de um marechal já idoso e bastante doente, o alagoano Manoel Deodoro da Fonseca, considerado até então um monarquista convicto e amigo do imperador deposto.


O que eu achei:

Laurentino Gomes, autor dos também brilhantes 1808, sobre a vinda da família real portuguesa ao Brasil e 1822, sobre a independência do Brasil nos apresenta o fascinante 1889, uma obra riquíssima, cheia de curiosidades e detalhes a respeito da vida pessoal e da personalidade de cada personagem da proclamação. É possível entender como o professor Benjamin Constant, o jornalista Quintino Bocaiúva, o marechal Deodoro da Fonseca e o próprio imperador Pedro II agiam e pensavam.

Admito que nunca tinha pensado por esse lado. Nunca imaginei como o caráter pessoal podia influenciar tanto os destinos do país.

Explico. 

O livros nos mostra como o imperador era até certo ponto tolerante com as idéias republicanas que brotavam dos intelectuais que tinham acesso às obras dessa natureza que vinham de fora. Isso fica claro nesse trecho:

"Cartas e documentos sugerem que, embora fosse o imperador do Brasil, dom Pedro II tinha inegáveis simpatias republicanas. Em junho de 1891, já no exílio, anotou à margem de um livro que estava lendo:

Desejaria (...) que a civilização do Brasil já admitisse o sistema republicano, que, para mim, é o mais perfeito, como podem sê-lo as coisas humanas. Creiam que eu só desejava contribuir para um estado social em que a República pudesse ser 'plantada' (...) por mim e dar sazonados frutos." (página 129).

O Imperador falando sobre República!!! Assim como você, leitor, deve estar chocado, eu também achei isso bastante paradoxal.
 
Em alguns trechos como esse, percebemos o lado humano dos personagens da história. Senti em muito momentos uma compaixão pelo imperador, coisa que nunca senti durante toda a vida. Por um lado é compreensível esse fato, pois analisamos durante o tempo da escola apenas um lado frio e sem vida da História, sem nos dar conta de que todos esses personagens foram seres humanos como nós. 

Ele também se mostra humano com opositores. Num dos trechos narrados pelo Laurentino Gomes, Pedro II não dá ouvidos ao conselho de um ministro para perseguir, prender e matar o professor Benjamin Constant que insuflava os jovens na escola militar. Qualquer líder com poder quase que ilimitado nas mãos iria fazer qualquer coisa para eliminar oponentes do regime. É aí que podemos ver como o imperador mostrava-se complacente.

Dividido de forma didática em capítulos, o livro vai mostrando uma sequência cronológica dos fatos até o dia 15 de novembro de 1889. Para isso, o autor esmiúça detalhes e situações, desvendando todo o bastidor por trás da proclamação.

Sobre detalhes, nunca poderia imaginar que o Império tivesse dado uma festa enorme há alguns dias antes de sua derrocada! Laurentino Gomes comenta que o Império ofereceu uma recepção de gala em homenagem aos marinheiros do navio chileno Almirante Cochrane. O baile da Ilha Fiscal se deu na noite de 9 de novembro de 1889, somente seis dias antes do golpe que trouxe a mudança de regime. 
A descrição do baile é ímpar. Dá pra todos nós imaginarmos como foi a festa:

"Ainda segundo o balanço publicado nos jornais, na festa foram consumidos 3 mil pratos de sopa, 50 caixas de peixes grandes, 800 latas de lagosta, 800 kg de camarões, 100 latas de salmão, 3 mil latas de ervilhas, 1.299 latas de aspargos, 400 diferentes saladas, 800 latas de trufas, 12 mil frituras, 3.500 mil peças de caças miúdas, 1.500 costeletas de carneiro, 1.200 frangos, 250 galinhas, 500 perus, 64 faisões, 80 patos, 23 cabritos, 25 cabeças de porco, 18 mil frutas, 1.200 pratos de doces, 20 mil sanduíches, 14 mil sorvetes, 50 mil quilos de gelo -  tudo isso regado a 10 mil litros de cerveja, 80 caixas de champagne, 20 de vinho branco, 78 de vinho tinto, incluindo os prestigiados Bordeaux e Borgonha franceses, 90 vinhos de sobremesa, além de 26 conhaques, vermutes e outros licores." (página 272).

É curioso pensar que tudo isso foi financiado com recursos públicos. Ostentação paga com dinheiro do povo.

O autor tem, ainda, o cuidado de analisar como um impasse mexeu com o brio dos militares dando início a Questão Militar, que foi questão chave junto com o congelamento de salários depois da Guerra do Paraguai para o Exército aceitar se ligar aos intelectuais republicanos civis e aceitar depor o imperador.

O autor relata como a Guerra do Paraguai foi importante pra  criar a insatisfação do Exército. E sem o Exército, o governo imperial começou a ruir...

Sobre isso, os bastidores mostram que a Monarquia caiu graças a um golpe militar feito pelo Exército. Sem banho de sangue e com uma troca de governo feita sem a participação popular, pois só uma camada pequenina da população sabia ler e escrever e tinha interesse na mudança de regime.

Além disso, os fazendeiros que usavam a mão de obra escrava deixaram de apoiar a Monarquia com a vinda da Lei Áurea assinada pela Princesa Isabel, que colocou fim a escravidão. Com isso, a Coroa ficou sozinha, perdendo um apoio considerável. Todos os pilares de sustentação foram caindo, um a um. E no final das contas, a conseqüência lógica foi a vinda da República.
Proclamação da República
por Henrique Bernardelli



É uma pena que o livro termine após o autor apenas comentar sobre alguns anos após a mudança de regime. Na verdade, o livro seria até interessante se incluísse os primeiros anos da Velha República.

Quando o artista Henrique Bernardelli pintou esse quadro que está aqui do lado, retratou Deodoro da Fonseca em primeiro plano, mas também retratou os dois homens fortes que ajudaram a originar a República. No extremo lado esquerdo é possível ver o professor e militar Benjamin Constant e do seu lado, mais para o centro, o jornalista civil Quintino Bocaiúva. É um detalhe que revela que Deodoro não estava sozinho na criação do novo regime.
 
Quem gosta de história não deve deixar de ler esse livro. Por falar em história, eu tenho de admitir que na época de Ensino Médio não compreendia muito bem esse período histórico do Brasil. E hoje eu posso dizer que entendo de verdade o que aconteceu naquele período conturbado do fim do século XIX. Um livro que todo brasileiro devia ler para entender como a Monaquia ruiu e o país não se dissolveu em inúmeras repúblicas como aconteceu com o restante da América do Sul.

Até a próxima!








Dados do livro:

Nome: 1889 - Como um imperador cansado, um marechal vaidoso e um professor injustiçado contribuíram para o fim da Monarquia e a Proclamação da República no Brasil.
Autor: Laurentino Gomes
Editora: Globo Livros
Páginas: 415



9 comentários:

  1. Hoje dia da Proclamação da República uma data mega importante para o nosso país mas tenho a impressão que nos dias de hoje não tem uma atenção necessária que no passado tinha, até mesmo nas comemorações, muito importante um livro para documentar esse fato importante em uma linguagem mais atualizada para essa nova geração e despertar o interesse além das salas de aula.

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  2. Oi Marcos,

    Eu estou no ensino médio e fico meio confusa com isso, pois eles tratam desses personagens de nossa história como se fossem algo que não fosse humano. Eu sou louca pra ler esses livros justamente para entender a história do Brasil de verdade e não esse resumo que contém nos nossos livros de História. Muitas pessoas até julgam errado tal acontecimento por não saberem o quê exatamente estavam planejando com aquilo.
    A resenha está ótima e realmente me deixou mais interessada pelos livros!
    Beijos

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  3. Parabéns Marcos, resenha muito bem escrita, detalhada com tudo que se precisa saber, apesar de não ser um livro que me cativaria, mas devo reconhecer que está muito boa :)

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  4. Olá , Adorei sua resenha ! Parabéns . Há muito tempo vinha querendo ler esse livro , e agora estou bastante animada para ler . Adorei o blog !
    Beijos , sucesso ♥

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  5. Ei, Marcos!
    É a mais pura verdade que na escola só aprendemos o lado frio e sem vida da história! Como você mesmo disse, acabamos esquecendo que as pessoas que escreveram a nossa história tinham sentimentos e eram como nós. Sou apaixonada por história e tenho quase certeza de que adoraria esse livro.
    Amei a resenha.

    Abraço, Mariana
    www.bloglerparaviver.blogspot.com.br

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  6. Oi Marcos,
    Parece ser legal, pois sempre há algum aspecto que não sabemos ou ainda não aprendemos sobre nosso passado...

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  7. Já li 1808 achei super top, só que não tive a oportunidade de ler esse. :(
    estou ansiosa pra ler, pois adoro história todo tipo, é a historia que envolvendo o passado do Brasil.

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  8. Infelizmente hoje em dia, não é dada uma grande importância ao nosso país, e a nossa história. Nem mesmo o hino nacional é cantado nas escola. Triste realidade.

    http://inquietudessecretas.blogspot.com.br/

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  9. Olá Marcos, tudo bem?? Interessante ler a resenha, pois confesso que livros deste gênero não me chamam muito a atenção, por preferir romances e tal, mas como estudante creio que deva ser uma leitura rica e com certeza importante de se fazer.Ótima resenha e com certeza este é um livro que pretendo conferir.

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