quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Filhos da Senzala

Olá leitores, tudo bem?
 
Mês passado a Editora Schoba, através da super atenciosa Luciana, entrou em contato comigo e perguntou se eu gostaria de apresentar para vocês, leitores do blog, o livro Filhos da Senzala, da escritora brasileira Silvânia Dias.
 
Esse convite me deixou extremamente feliz e desejei o livro logo ao ler a sinopse, pois ali já deu para perceber o cuidado e dedicação da autora com a história.
 
Bom, não sei se vocês sabem, eu nasci e moro no estado do Rio de Janeiro, mas sou de família mineira. Tenho parentes espalhados por todo o maravilhoso estado de Minas Gerais que eu amo de todo o coração. Cresci passando as férias no interior de Minas e ouvindo as maravilhosas histórias das cidades.
 
Acredito que foi por isso que o livro chamou tanto a minha atenção. Essa é mais uma história em que encontramos as Minas Gerais como cenário e como se isso não fosse o suficiente para me conquistar, a trama se passa nos anos de 1800 e, para uma apaixonada por História como eu, seria impossível não desejar ler.
 
Me identifiquei com a autora na hora ela, nascida e criada em Minas e formada em História, também cresceu ouvindo as histórias da avó e hoje compartilha Filhos da Senzala com seus leitores.
 
O que fiz a contracapa:
 
 
 
"Ele era branco, jovem e livre. Ela, uma belíssima parda, provocante e sedutora que nasceu escrava na Fazenda da Cantareira, de propriedade do temido e impiedoso Capitão Bartolomeu Moutinho Esteves. Por intenso amor a ela, o ingênuo rapaz vendeu 12 anos de sua existência ao diabólico fazendeiro e mergulhou no abismo sombrio e brutal do cativeiro, tornando-se o principal personagem de um sórdido drama."
 
 
 
 
O que eu achei:
 
A primeira impressão que eu tive ao ler a sinopse só foi confirmada enquanto eu avançava na leitura do livro. Eu simplesmente adorei a história.
 
Somos primeiramente transportados para 21 de junho de 1819, quando Ana Leocádia, mãe de Cassiano e Francisco, teve uma morte súbida, deixando marido e dois filhos. Cada um lida com o luto de uma forma diferente e, para Francisco do Espírito Santo foi impossível permanecer na propriedade em que nasceu e cresceu apenas na companhia do irmão, do pai e dos escravos. Ainda naquela noite preparou o cavalo e saiu em uma viagem sem rumo.
 
Durante sua viagem, em uma parada para viajantes, Francisco conheceu Augusto Campos, que prestava serviço para a Fazenda da Cantareira e ofereceu ao novo amigo um trabalho junto a ele. Foi assim que Francisco chegou na Fazenda da Cantareira e, ignorando todos os conselhos de se manter distante do dono, o Capitão Bartolomeu Moutinho Esteves, Francisco decidiu ficar e trabalhar na propriedade por um tempo.
 
Francisco era o melhor trabalhador livre da propriedade do Capitão e se dedicava ao trabalho de sol a sol. Até que um dia se encantou perdidamente pela escrava Eugênia e, sem pensar nas consequências, fez um acordo com o Capitão: a liberdade de Eugênia por 12 anos de seu trabalho. Assim, o recém casal continuou morando na Fazenda da Cantareira, mas agora Francisco era tratado com a mesma brutalidade que os escravos da propriedade. Mais uma vez o Capitão não saiu perdendo.
 
A partir deste acordo a vida de Francisco mudou, trabalhava a exaustão sem nada receber e, com o fim dos 12 anos do acordo, já pronto para deixar a Fazenda, o casal se deparou com um enorme impecilho, o Capitão arquitetou direitinho uma forma de mantê-los sob suas ordens.
 
O que eu mais gostei no livro é que não se limitou a contar apenas a história de Francisco do Espírito Santo e sua esposa Eugênia, cada personagem teve sua história contada com detalhes. Acompanhamos outras lindas histórias de amor e, para mim, não existe nada mais bonito do que histórias de amor de época (acho que nasci no tempo errado...rsss).
 
Não encontramos muitos diálogos durante a leitura. Sei que já reclamei disso em outra resenha, mas em Filhos da Senzala eu achei que funcionou muito bem. A falta de diálogos não me incomodou em nada, ao contrário, achei que deu à história um toque particular e único, como se estivéssemos deitados confortavelmente em uma rede, escutando alguém contar os "causos" daquela terra.
 
O narrador em terceira pessoa também contava a história de forma diferente. Não se limitava a observar e descrever as cenas, mas muitas vezes estampava sentimentos no texto, o que me trouxe ainda mais aquela sensação de estar escutando a história ser contada por alguém. Poderia ser mais uma das histórias que a minha avó me conta.
 
"Para Francisco, as coisas eram simples assim. Caso houvesse contratempo, era só se mudar da fazenda. Pobre home! Não sabia que se tornaria um prisioneiro eterno daquele lugar infame." 
 
O Capitão é um personagem tão importante quando Francisco no livro. Quando li a sinope imaginei que se tratava apenas da história de Francisco e como ele trocou sua liberdade por amor. Mas a verdade é que o livro não tem protagonistas e personagens secundários, a história do Capitão nos é contada com o mesmo afinco do que a de Francisco e conhecemos muitas outras figuras que enriqueceram o enredo com suas vidas.
 
Indico este livro aos apaixonados por História como eu. Aos que não resistem a um "causo" de tempos distantes em terras tão lindas como as minhas Minas Gerais! Tenho certeza que vão se encantar com a narrativa da autora, que não é cansativa e nos prende até o final.
 
 
Estou ansiosa para conhecer outros livros da Silvânia e agradeço à Editora Schoba pela oportunidade de ler Filhos da Senzala.
 
Espero que gostem!
 
Com carinho,
 
 
 
 
 
Dados do livro:
 
Nome: Filhos da Senzala
Autora: Silvânia Dias
Editora: Schoba
Páginas: 258











 
 

16 comentários:

  1. Oi Mari
    Não gosto muito de livros de epoca(to traumatizada por causa da escola), mas amo um romance, seja ele do "passado" ou futuro. Quem sabe eu comece a ler por causa de suas resenhas? Kkkk Vamos ver a minha disposição para dedicar a este tipo de livro... Bjs

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  2. Oi, Mary!
    Não leio muitos livros desse gênero, mas esse parece conquistar, ainda mais por ser nacional.
    Fiquei curiosa para conhecer a história contada.
    Adorei a rsenha.
    Beijos
    Construindo Estante || Facebook

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  3. olá Mari, como as meninas comentaram também não sou muito fã de livros assim um pouco antigos, mais já li um e gostei da história quem sabe mais para frente eu não acbe lendo este que você a resenha.... Bjus

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  4. Mari adorei a resenha. As vezes eu não tenho muita paciencia pra "causos" mas a história desse livro me chamou muito a atenção, parece ser uma história linda e muito bem escrita.

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  5. oi Mari, eu estou participando do Top comentarista, eu comentava como RAH..
    só que agora coloquei aqui o meu nome direitinho para ficar melhor, bjos

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  6. Oi Mari

    Adorei sua resenha fiquei morrendo de vontade de ler o livro, ja coloquei ele na lista do desejado e pretendo ler em breve, adoro história que fala sobre escravidão e dos tempos antigos é muito bom e uma viagem maravilhosa .

    Beijos

    www.livrosechocolatequente.com.br

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  7. Oi, Mari, tudo bem?

    Adorei a sua resenha, adoro história. Ainda pretendo fazer alguma pós, MBA ou até mesmo uma outra graduação em história, adoro! Mas não acho que o livro é o meu estilo de leitura. Não consegui me identificar, sabe? =(

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  8. Oi Mari, tudo bom?
    Eu gosto de livros com esse caráter histórico e Filhos da Senzala já me atraiu pela sinopse. Infelizmente a escravidão é algo que faz parte da nossa história e ocorreram muitos casos de abdicação da própria liberdade em nome dos sentimentos. Não conhecia a obra, mas fiquei interessada.
    Beijos!
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  9. Não tenho costume de ler livros assim, a sua resenha ficou ótima e mesmo não gostando de livros assim, eu fiquei interessada por este.

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  10. Oi Mari, eu também acho muito legal quando o escritor(a) traz elementos que nós também conhecemos como o lugar por exemplo, também sou super empolgada com a literatura brasileira acho que temos um momento maravilhoso com escritores talentosíssimos!
    E concordo com quando vc diz que a falta de diálogos atrapalha um pouco, isso me irrita certas vezes, fiquei curiosa pra saber como é esse livro já que este detalhe funcionou nele.

    Bzus,
    BC
    www.miniquiteria.blogspot.com.br

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  11. A resenha ficou ótima. Não costumo ler livros desse gênero, mas vou confessar que me deu um vontade enorme de ler esse.

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  12. Olá Mari!! Nossa muito interessante poder conhecer este livro, a autora e esta trama que nos chama atenção desde a sua sinopse. Creio que nunca li nenhum livro passado nesta época e ainda mais com poucos diálogos, e sobre uma trama tão rica e interessante.Adorei conhecer e com certeza irei incluir ele a lista de desejados!
    Ótima resenha e muito sucesso a autora!!

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  13. Adorei a resenha, e fiquei com muita vontade ler, depois de velha já, que comecei a gostar da história do Brasil e contos que descreve a nossa cultura! Com certeza irei comprar esse livro... Beijos
    Paula Ribeiro-BC
    www.paularibeiromoda.com.br

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  14. Não sou uma grande fã da história, principalmente dessa época de escravidão... E fora isso também não curto muito romance de época... Legal a escritora ter feito parecer nossas avós contando uma história, mas esse não me intrigou tanto pra ler... Que bom que você gostou...
    Kisses =*

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  15. Oi, Mari
    Que lindo é ver romances históricos nacionais, ainda mais que contam histórias como essa. Eu simplesmente amo história e sei como títulos, como esse livro, que tratam de uma identidade nacional são importantes para nós mesmo nos dias atuais. Já quero muito ler esse livro. Tenho até esperança que os romances históricos nacionais não ficaram apenas no passado, tem gente bacana fazendo isso hoje em dia.

    Eu nasci no RJ, mas também sou de família de MG. Amo esse estado de paixão, incluindo a comida heheheh

    Bjs
    hollywoodemcasa.blogspot.com.br

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  16. O livro me deixou bem interessada. Confesso que não sou muito fã do gênero, mas gostei bastante!

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