quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Branca como o leite, vermelha como o sangue

Olá leitores e amigos do Cantinho de Leitura da Mari!

Eu sou o Marcos, colunista e namorado da blogueira e hoje vim comentar um livro muito bonito que eu li há uns dias e que se chama "Branca como o leite, vermelha como o sangue"

Se você leu e gostou de "A culpa é das estrelas" e "Um amor para recordar", esse é um livro com tema similar, mas que consegue ser ainda mais profundo!

O que diz a Sinopse:

Se tudo tem uma cor, qual é cor do amor? Para Leo, tudo no mundo tem uma cor. Beatrice é um mistério escrito em tons de vermelho, uma estrela incandescente, que arde a anos-luz de distância. Leo vê-a sempre ao longe, uns olhos verdes que passam, longos cabelos ruivos. Quer alcançá-la, mas não sabe como. E o seu mundo perde a cor, tinge-se de negro, veste-se de branco. Para Leo, o branco é vazio, silêncio, solidão. Também branca é a escola, para onde se arrasta todos os dias na esperança de a ver. Um dia, porém, descobre uma cor inesperada. Não nos amigos - que são azuis, como todos os amigos verdadeiros - mas na voz vibrante e apaixonada de um novo professor. Leo dá-lhe um nome, O Sonhador. E ouve-o falar de grandes homens, de feitos heróicos, conquistas impossíveis. Leo parte à conquista do seu sonho, da sua Beatrice. E lança-se à aventura, sem saber que o amor tem todas as cores do mundo. Sem imaginar que Beatrice afinal esconde um segredo, frio e branco como a neve, vermelho como sangue.
*Retirado do perfil do livro no Skoob.

O que eu achei:

 Certa noite eu estava assistindo televisão e comecei a zapear. Então eu parei num filme e comecei a assistir. Vi um pedacinho e logo desabei num sono profundo. Não que o filme fosse chato, mas o cansaço diário sempre me vence e ele não me deixa mais assistir qualquer filme inteiro. Não me julguem, por favor! 

O filme tinha um nome comprido e curioso: Branca como o leite, vermelha como o sangue. Tem um trailler que mostra um pedacinho do filme e que vocês podem conferir logo aqui embaixo:


 
Trailler não oficial do filme encontrado na Internet

Como não consegui ver o filme inteiro, fui procurar saber mais na internet e descobri que se tratava de uma película inspirada num livro. Como amo os livros, logo procurei saber mais e soube coisas interessantes sobre ele:

O título nos sugere que esse é um filme italiano (Bianca come il latte, rossa come il sangue), feito em 2013, adaptação cinematográfica do romance de mesmo nome do autor Alessandro D'Avenia.

Leonardo ou somente Leo, é um adolescente de 16 anos que vive com os pais e cursa o liceo classico, o correspondente ao nosso Ensino Médio. Entre as aventuras e descobertas próprias da idade, Leo se vê apaixonado por uma colega de escola, uma ruiva chamada Beatrice (traduzido para o português, Beatriz).

Logo de cara, Leo já faz a distinção sobre a beleza e o encantamento do vermelho e a secura e a insipidez do branco. Vermelho é tudo aquilo que dá sabor a vida.

Beatriz, seu amor que estuda na sala D é vermelha porque a menina é ruiva. Mas branco é tudo que é insosso na vida, como por exemplo: a leucemia, que acaba com os glóbulos vermelhos, deixando só os brancos no sangue até a morte! "Virar a noite em branco; passar em branco; levantar bandeira branca; deixar o papel em branco; ter cabelo branco", são alguns dos exemplos que mostram que o branco não é nem uma cor. Diferentemente da cor vermelha.


No livro, a cor azul é trazida de forma metafórica e destinada aos amigos: Niko, companheiro de futebol soçaite e Silvia, a melhor amiga do personagem principal e dona de alhos azuis. E é possível perceber que Silvia nutre um amor por Leo desde as primeiras páginas, ajudando-o em qualquer coisa que Leo venha a pedir para Silvia.

Esse universo de Leo muda até ele descobrir que Beatriz está gravemente doente. Ela tem leucemia e corre grave risco de vida. Leo, movido pelo seu espírito de ajuda para salvar a mulher dos seus sonhos, decide que deve doar sangue para saber se pode haver alguma chance de salvar Beatriz com a doação de medula óssea.


Nesse ínterim, Leo conhece o novo professor substituto de história e filosofia da escola. Ele é chamado maliciosamente por Leo como "Sonhador", pois parece que o professor é absolutamente influenciado pelo carismático professor do filme "A sociedade dos poetas mortos" e que quer fazer nascer em seus alunos o espírito sonhador, crítico e inquieto daqueles que estão descobrindo o próprio caminho.

E é aqui, nesse ponto, que "Branca como o leite, vermelha como o sangue" se distingue de "A culpa é das estrelas". No livro do John Green, não há em nenhum momento uma jornada de autoconhecimento buscada pelo personagem principal, como faz Leo nesse livro. No livro do John Green, apenas há um belo romance ameaçado pelo câncer. Já em Branca como o leite, vermelha como o sangue, o professor Sonhador de Leo o ajuda a entender o significado e a importância de se crescer, tornando-se adulto e de como é importante para o ser humano nunca deixar de sonhar.

"Os verdadeiros sonhos se constroem com os obstáculos. Do contrário, não se transformam em projetos, continuam sendo sonhos. A diferença entre um sonho e um projeto é justamente esta: as bordoadas (...). Os sonhos não são aqui e agora, se revelam aos poucos, às vezes de maneira diferente de como os tínhamos sonhado..." (página 135)

Percebam que reflexão interessante essa!

E aos 16 anos, numa idade de descobertas, o peso de saber que o primeiro amor está morrendo, junto com os diálogos sempre fortes com o professor Sonhador, faz com que Leo comece a entender os desafios impostos pela vida. Também tem no livro uma relação amarga e satírica de Leo com Deus, tendo que sofrer para descobrir os próprios caminhos, sem entender direito a dor da perda.

Também organizado em curtos capítulos, o leitor não se cansa com facilidade da leitura do livro.

Resultado: li o livro numa tacada só! Terminei de ler depois de 4 horas da manhã; estava tomado pelo sono e maravilhado com a beleza das palavras e do estilo de Alessandro D'Avenia. Esse foi o seu primeiro romance. Com toda a certeza vou querer ler mais coisas produzidas por ele.

Termino com mais uma pequenina parte do livro:

"— O que você iria recuperar?
— E você? — devolve Beatriz.
— Não sei, talvez minha primeira guitarra, que esqueci num hotel de montanha e nunca mais achei. Era importante pra mim, foi nela que aprendi a tocar... Ou talvez minha motoneta velha... não sei... E você?
— O tempo.
— O tempo?
— O tempo que desperdicei...
— Desperdiçou como?
— Com coisas inúteis... o tempo que não usei para os outros: eu poderia ter feito muito mais pela minha mãe, pelos meus amigos...
(...)
Fico mudo. Não consigo imaginar o mundo sem Beatriz. Não consigo suportar o silêncio que haveria. Todas as cidades a visitar desapareceriam imediatamente, belezas inúteis, se eu estivesse sozinho. Tudo perderia o sentido, ficaria branco como a Lua. Só o amor dá sentido às coisas.
Beatriz, se, como os esquimós para a neve, tivéssemos quinze maneiras de dizer te amo, eu usaria todas para você."

Espero que tenham gostado! Até a próxima!




Dados do livro:

Nome: Branca como o leite, vermelha como o sangue
Autor: Alessandro D'Avenia
Tradutora: Joana Angélica d’Avila Melo
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 368



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17 comentários:

  1. Nossa eu amei a culpa é das estrelas e esse livro já vai para minha lista de proximos livros...

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  2. A história é linda, estou ansiosa para ler este livro. :D

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  3. O livro parece ser muito bom.
    Bastante reflexivo e tão bom quanto o do John.
    Fiquei curiosa para ler haha.
    Construindo Estante

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  4. Essa poética relacionada a cores deve causar uma bela impressão na hora da leitura. Profundida era justamente o que eu sentia falta no livro do Sr. Green: "Hazel tem câncer e o Gus descobre que voltara a ter. Eles se apaixonam e fim." Em "Branca como o leite, vermelha como o sangue" parece ser bem diferente nesse aspecto. Parabéns pela resenha, levarei como uma indicação.

    abraço
    hollywoodemcasa.blogspot.com.br

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  5. Deve ser muito bom mesmo, Marcos. Só de ler sua resenha me senti "inspirada", e fiquei louquinha para ler,já era mas agora fiquei. E eu não sabia que tinha filme! :D
    Quero muito assistir, mas fiquei na dúvida se leio primeiro ou assisto logo o filme.
    Obrigada mesmo por ter feito essa resenha tão legal, estava em dúvida de qual seria minha próxima leitura, e agora, já sei! :)
    Abs.
    http://bagagemliteraria1.blogspot.com.br

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  6. Como amo romances... Esse aí não pode faltar pra minha estante e pra minha leitura. Bela resenha Marcos!

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  7. Esse é o típico livro não julgue pela capa... Se um dia visse essa história em uma livraria ela me passaria completamente despercebida, mas depois de saber do que se trata eu com certeza vou ler! Sou apaixonada por um amor para recordar e por a culpa é das estrelas, e só de ler a resenha pude perceber que este vai me intrigar tanto quanto... E também já vou baixar o filme e assistir!
    Obrigada pela dica :D

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  8. Oi, Marcos, tudo bem?

    Não conhecia esse livro, mas, bem, eu curti A Culpa é das Estrelas e Um Amor para Recordar. Já vi que com esse livro eu vou chorar bastante, certo? Já vou me preparando huahuahua

    beijos
    Kel
    www.porumaboaleitura.com.br

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  9. Não tenho palavras para descrever o que estou sentindo...
    Não conhecia o livro e através da sua resenha me apaixonei , VOU LER O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL...
    amo um amor para recordar e a culpa é das estrelas, tenho certeza que esse será uma leitura maravilhosa...
    E claro parabéns pela resenha, perfeita...

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  10. Eu já tinha lido alguma coisa a respeito deste livro, mas não tinha prestado tanto atenção, o nome é bem interessante, e depois de ler a resenha ficou mais interessante ainda, eu adoro livros que prende a atenção ao ponto de conseguirmos terminar de ler em poucas horas.

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  11. Oi Marcos, eu já ouvi falar sobre esse livro, mas ainda não cheguei a ler e nem sabia que tinha um filme, mas só de ler sua resenha e ver o trailer me arrepiei e gostei muito, como você disse no livro do John, é só um romance, e nesse finalmente tem conteúdo e que faz o livro valer muito a pena, infelizmente não vejo muitos falarem desse livro, talvez a capa não ajude, mas fiquei muito interessada, obrigada por essa dica.
    Bjs*-*
    Poliana Araújo
    TerritoriodasGarotas
    twitter

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  12. Oi Marcos, tudo bom?
    Conheço uma blogueira que sempre indica esse livro e tenho muita vontade de ler. Não sabia muito sobre a narrativa, mas depois da sua resenha eu fiquei ansiosa para conhecer a história. Gostei da premissa porque fala de sonhos e acho que nunca devemos parar de sonhar.
    Adorei a resenha!
    Beijos.
    http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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  13. Oi Marcos, eu não li nenhum dos livros citados então não posso fazer comparações. Não sei porque mas eu adoro quando o livro é narrado por um homem/garoto, fica tão diferente, a gente ta tão acostumado a ler narrativas femininas. Acho mais interessante ainda quando é um jovem descobrindo as coisas da vida com o Leo. Gostaria muito de ler esse livro, parece ser bonito. beijos

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  14. Olá Marcos, tudo bem??
    Fiquei bastante surpresa ao ler a resenha deste livro e saber sobre o seu tema e sobre o filme, que não conhecia e nunca imaginei se tratar de um tema tão interessante como o câncer de uma outra forma, sem haver um romance como destaque, mas falado de uma outra forma.Adorei mesmo, e já inclui ele a lista de desejados, pois achei sua proposta super bacana!

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  15. Olá Marcos!
    O titulo do livro me chamou atenção de imediato. Gostei da sua comparação com ACEDE, e como eu não gostei do livro do Jonh, talvez eu goste deste. Vou procurar na biblioteca pública daqui da cidade.

    Beijos, Vi.
    Blog Minha Velha Estante

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  16. Oi oi Marcos.
    Primeiramente, não te julgarei por dormir no meio do filme... faço isso direto e nem o's meu's filme's favorito's (Iron Man) consegue'm me prender! (risos)
    Amei essa resenha. O título por si só já me chamou muito a atenção e fiquei bastante intrigada. O trailer piorou um pouquinho as coisas e agora não sossegarei enquanto não ler esse livro!
    Você escreve bem, parabéns!

    Abracenho.
    Blog Tea Desk

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  17. Nunca tinha ouvido falar desse livro e muito menos dps filme, mas confesso que achei bem interessante , não veria o filme, mas adoraria ler o livro!

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